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Vida de criança, na Sarapiquá

Brincadeira de criança é coisa séria. Por isso, na Sarapiquá as crianças brincam e se apropriam do mundo. Da casinha ao lobo, à bruxa, à fada, aos heróis; da fala, à imitação, ao desenho e à escrita, as crianças vivem o desafio e o prazer de aprender. Constituem a autoridade de estudante construindo sua autonomia e identidade, percebendo quem são e como se assemelham e se diferenciam do outro. Encantam-se descobrindo cada cantinho desse espaço.

Os momentos vividos aqui são orientados por uma rotina que propõe a participação, pauta-se em combinados e situa a criança no tempo e no espaço. O dia começa com a roda: momento da confirmação da presença e do planejamento para o dia. Passa para a atividade, que pode estar relacionada ao projeto de trabalho, ou a um outro tema que o professor avalia importante considerando os conteúdos próprios da turma e do momento do desenvolvimento dos alunos.

Depois é a hora do lanche: momento de entrega, de compartilhar. Ritual do comer junto, apreciar o alimento, aprender sobre ele. Momento da escolha do ajudante, do dia mais importante do mês para a criança que oferece o lanche naquele dia. Momento de ser solidário, de aprender sobre esses valores para a vida. Depois da higiene, as crianças vão ao pátio: hora de descortinar o mundo, real e imaginário. Hora de brincar junto, correr, escorregar, enfrentar desafios.

De volta à sala, vivem o momento mágico da história na roda final: hora de esperar os pais, de despedir-se, de avaliar, de construir o vínculo e o desejo de voltar.
A vivência na escola infantil é um processo marcado pelo crescimento, vivido com intensidade nos limites, no afeto, no lúdico e na potencialidade de cada criança, no que ela é capaz de fazer e de aprender.

Adaptação, um processo vivido por todos

A escolha está feita, a matrícula efetuada, as férias acabaram e, finalmente, chegou a hora. E agora? Como vai ser a despedida? E se ele não quiser ficar? E se ele chorar? E se eu chorar? Afinal, o que é a tal adaptação? E nós, o que devemos fazer? Quanto tempo isso vai durar?

Estas dúvidas, mais do que normais para os pais, são habituais em todo começo de semestre na escola, que se prepara e se transforma para receber seus novos alunos, o novo grupo. Os educadores definem este processo como adaptação, e dele fazem parte a construção de rotina, a apropriação de espaços e, principalmente, o estabelecimento de vínculos.

A criança reage a esta vivência de diversas formas, mas o conflito básico é o mesmo: o deslumbramento e o medo provocado perante o novo, alimentado de fantasias de abandono. A separação dos pais é o grande desafio. Na verdade, esta separação começa no nascimento, dando início a um longo processo de diferenciação, que é uma tarefa nada simples para o bebê - e, muitas vezes, também para a mãe -, mas fundamental para a sua vida. Afinal, temos de nos adaptar sempre que passamos a fazer parte de um novo contexto, em vários momentos da nossa vida, mas vale lembrar que quanto menor a idade, mais intenso o processo.

Como pais amorosos, o nosso impulso é o de suprir as faltas dos nossos filhos, evitando a frustração, o desconforto, o sofrimento. Mas é justamente com a experiência da falta que a criança vai construindo o seu EU, percebendo-se como um indivíduo, construindo estruturas fundamentais para a sua vida e como pessoa autônoma, capaz de superar frustrações. Portanto, esta separação cria uma “marca” que fica para a vida. Por isso é preciso que educadores, funcionários e pais estejam preparados.